segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Crítica - Cenas do OFICENA 05, dias 09 e 10 de Setembro - Charitas - 2017

Sobre o evento em si.

Como um evento que busca conferir autonomia nas ações artísticas e técnicas dos alunos do OFICENA - Curso Livre de Teatro do Teatro Municipal de Cabo Frio; podemos dizer que tivemos diversas oportunidades para crescer durante o processo. A expansão coletiva, na busca de um fazer organizado, mostrou um lado bem positivo dos estudantes de teatro, indo muito além do glamour e da expectativa de sucesso. 
De um modo geral, todos, cada um com seus compromissos, tiveram um razoável desempenho e concentração. No primeiro dia, havia um certo ar de ansiedade e um pouco de desorganização, mas, graças ao trabalho firme de alguns, a coisa se equilibrou e todos deram seu melhor. É bom lembrar, porém, que alguns participantes se atrasaram o que causou um pouco de ansiedade na equipe como um todo. Um dos pontos altos foi a melhora de concentração coletiva, no segundo dia de apresentação. E o trabalho individual de cada coletivo teve visível melhora de um dia para o outro.
Parabéns aos alunos que colaboraram para que fizéssemos uma mesa coletiva. Todos puderam lanchar e restabelecer as forças antes de entrar em cena. No segundo dia, uma mesa de frutas foi mais adequada e trouxe um ar de satisfação para todos. Destaco a organização dos contra-regras que, de forma voluntária começaram a se estabelecer e garantir a eficiência das passagens de cena. Isso ficou mais claro e definido no segundo dia. Também houve um grande acerto dos participantes do curso que, ao final do evento, evitaram sair na base do CADA UM POR SI, o que gerou uma boa desprodução do espaço após o evento.
Sem dúvida que uma das coisas boas de se observar foi o ambiente relativamente silencioso, embora com ruídos, normal, num coletivo tão grande, os estudantes de modo geral, souberam apresentar um comportamento adequado com a proposta e complexidade do evento. Evitando falar alto nas coxias e, ao chegarem, evitaram também, dar gritos, e fazer algazarra, com isso, podemos dizer que o comportamento foi condizente com o padrão exigido para artistas em geral.



CRÍTICA DAS CENAS


A Estranha Noite de Kaleb
Direção: Jean Monteiro
Dramaturgia: Caio Danarim
Elenco: Anderson Souza, Luis Fernando, Sara Silvestre e Yuri Quintanilha
Classificação: Livre
Sinopse: Kaleb esta dormindo ,quando um pirata aparece no seu quarto á procura de algo muito importante. Depois de muita confusão, Kaleb desconfia que isso seja algo de sua cabeça e tenta fazer com que eles sumam de qualquer jeito. Fazendo essa noite ser uma das mais estranhas.

"A direção de Jean Monteiro foi ágil e mostrou grande criatividade, aproveitando o potencial de cada ator. A cena inicial, no entanto, ficou um pouco enrolada, com intervalos muito longos antes da ação que focava a trama da principal. De um modo geral o espetáculo convenceu e mostrou um elenco integrado e presente. 
A cena do astronauta, com o "tiro" inspirado em desenhos animados ficou bonita e destacou a intenção do grupo em construir objetos de cena com um fazer sofisticado, também destaca-se o figurino criativo e a ousadia da cenografia, dando um belo visual para o trabalho."

Não Me Deixe Sozinho
Direção: Gabriela Quintanilha e Matheus Dcastro
Dramaturgia: Gabriela Quintanilha e Matheus Luan
Elenco: Matheus Luan e Yasmin Quintanilha
Classificação: 12 anos
Sinopse: Marina é uma mãe solteira deixada de lado pro seu ex marido, e sofre ao ser desprezada pelo seu único filho, Joaquim. Marina já está cansada de tudo o que está passando e resolve da um ponto final nisso tudo.

"A direção de Gabriela Quintanilha e Matheus D'Castro teve grandes acertos, na forma como colocaram estudantes adolescentes para fazer papel de adulto. Os atores Matheus Luan e Yasmin Quintanilha, seguraram o tom dramático exigido pelo texto. Também foram felizes na forma como dispuseram o cenário.
O que pode melhorar é a produção dos alimentos consumidos durante a cena, dada a força dramática e o contexto realista em que tudo se desenvolve. Importante ficar atento a detalhes, tipo, o celular estar "ligado" de verdade e o arranjo da mesa ter uma decoração mais requintada".

Sob os Lençóis da Conformação
Direção: Danilo Tavares
Dramaturgia: Celso Guimarães
Elenco: Carlos Antonio Oliveira, Danilo Tavares, Julia Marques e Letícia Ferreira
Classificação: 14 anos
Sinopse: Em um escritório qualquer 4 pessoas escravizadas pelo sistema desabafam sobre a realidade psicológica e política atual da humanidade.

"A opção da direção por criar um ambiente narrativo onde as imagens mimo-corporal se destacaram ficou condizente com a proposta. Destaque para o uso inteligente do cenário, que fez a peça ter agilidade bons quadros visuais para a fruição da platéia. 
O que pode melhorar é fluência do texto que, as vezes tinha intervalos e pausas que mostraram um pouco de insegurança nos atores. Neste tipo de linguagem, o ator precisa segurar muito a concentração, pois o encaixe coletivo da cena e muito importante".

A Moradia
Direção: Caio Danarim, Jean Monteiro.
Dramaturgia: Jean Monteiro
Elenco: Douglas Morais, Miguel Rangel e Geovana Barros
Classicação: Livre
Sinopse: Jr precisa de um lugar para morar então pedi ajuda a seu amigo Jonh para ajudá-lo a alugar um apartamento...

"Os atores triangularam bem e a peça ficou bem ágil. As movimentações proposta pelo diretores teve ritmo e encaixe. Em algumas situações causava riso, mostrando que o humor funcionava. Faltou mais ensaio e dominar o texto. A peça cresceu muito na segunda apresentação e o elenco se mostrou mais concentrado. O que pode melhorar é a produção do figurino e da maquiagem, para dar ao elenco, mais verosimilhança com as intenções cênicas".

A Perola de Jane
Direção: Pedro Carvalho
Dramaturgia: Letícia Ferreira
Elenco: Alan José, Jully Braga, Nadir Pires e Pérola Hatake
Classificação: 14 anos
Sinopse: Jane, uma adolescente que encontrou uma curiosidade sobre ela mesma. Sua dúvida é, o que fazer agora? A cena se passa em um cômodo da casa, os narradores dão início a história e são o reflexo do pensamento de Jane, eles se questionam sobre o que fazer com essa nova curiosidade de Jane.

"Destaque para a dramaturgia de Letícia Ferreira,com um texto ágil e bem montado para chegar a um humor sofisticado e leve. O elenco elenco captou bem a proposta e a direção soube distribuir os atores que, de forma ágil, se mostraram a vontade, garantindo a qualidade do trabalho como um todo. O figurino teve um bom acabamento, mas ficou tímido nas apresentações de Jully Braga e nadir pires. Talvez, uma produção mais ousada para destacar a presença das atrizes, com roupas mais espalhafatosas, dariam mais força ao trabalho".

A Visita
Direção: Matheus Dcastro
Dramaturgia: Jean Monteiro
Elenco: Joás Teodora e Marcos Souza
Classificação: 16 anos
Sinopse: Depois de alguns anos, Judite volta pra sua cidade natal pra rever sua grande amiga, Lupita. As duas vão relembrar suas histórias de criança, mocinha e seus amores.

"Destaque para a qualidade da direção de Matheus D'Castro e o desempenho espontâneo e dedicado dos atores estudantes Joás Teodora e Marcos Souza. A cenografia combinou muito bem com a proposta. É muito importante saber utilizar, como cenário, o material de cena disponível nas dependências do espaço. 
Devido ao caráter realista da cena, alguns detalhes devem ser apreciados pela equipe da peça, por exemplo, no primeiro dia, foi colocada uma cafeteira visivelmente com café, e a peça destacava o chá, como bebida das personagens. No segundo dia, a mesma cafeteira foi posta com água ao invés de uma bebida escura e isso deu mais credibilidade à cena.
A dramaturgia merece um destaque, por tratar de um tema como a homo-afetividade de pessoas idosas. A questão tratada com humor, não interferiu na intensidade da proposta, gerando, inclusive, certa emoção do público".

Vertigem
Direção: Mario Sales
Dramaturgia: Danilo Tavares
Elenco: Átila Jorge, Ricardo Schmith, Vitor Pires e Wallace Matheus
Classificação: 14 anos
Sinopse: Pós assassinato de sua mulher e filhos, Arthur se perde no limbo em busca da saída.

"Boa concepção de figurino e de cena, a peça mostra um elenco coeso, bem ensaiado e com ritmo bem encaixado, do começo ao fim. Destaque para a direção de arte que primou pela construção de uma luz e um figurino adereçado que fazia, praticamente, o papel de maquiagem. A ideia das ataduras no rosto, propôs um jogo dramático bem forte, garantido pelo elenco, que "comprou" a proposta do começo ao fim. 
Mesmo com boa intensidade dramática e movimentação criativa, o coletivo em cena tem que segurar sempre e cada vez mais, a concentração, para dar mais força à proposta".

Chá pra Depois
Direção: Jean Monteiro
Dramaturgia: Jean Monteiro
Elenco: Julliana Aguiar, Pedro Vitor, Stefanny Pinheiro e Yaila Rosa
Classificação: Livre
Sinopse:
 Cláudia descobre que Ricardo tem uma amante,não aguentando a traição, liga para sua amiga Norma, para juntas resolverem esse problema.

"O elenco estava bem entrosado em cena, mas demonstrou mais segurança no segundo dia, dando mais ritmo à peça. A dramaturgia demonstrou muitas possibilidades, mas, sem dúvida que, a ideia de colocar a atriz-estudante Juliana Aguiar na platéia para atender o celular, proporcionou um tipo de humor bem articulado, do jeito que o público gosta, aliás, ótima a ideia da atriz ficar na platéia até seu momento de entrar em cena.
O que pode melhorar é o cenario, a mesa de plástico, ao canto, sem um tratamento mais cuidadoso, deu um ar de simplório a algo que poderia ter mais sofisticação, problema claro de produção".

Sem Voz
Direção e Dramaturgia: Coletiva
Elenco: Bianca Santos, Henrique de Bragança, Hubert Gigot, Igor Quintanilha, Kaylane Janes, Kaylane Rodrigues, Letícia Muzer, Lucas Cedro e Maria Gabriela.
Classificação: 14 anos
Sinopse: Nanda aos 17 anos descobre sua orientação sexual e não é aceita pela família e pelos amigos; a  história se passa no ambiente escolar, rejeitada por todos a sua volta ela decide dar um fim nisso.

"O trabalho de criação coletiva teve um bom resultado, mostrou que o grupo se entendeu bem e chegou ao resultado desejado. Destaque para a habilidade e agilidade do grupo em fazer a troca de atriz para o segundo dia, com isso, ficou evidente que o show não pode parar. A movimentação de cena ficou boa e as cenas bem ousadas, o elenco embarcou na proposta dramática.
É importante, em cenas como esta, equalizar bem a vocalização, evitando que o ator ou atriz gritem demais e/ou passem a ideia de grito sem gritar."

Sobre Cigarros e Ela
Direção: Jorge Rodrigues
Dramaturgia: Raphael Araújo
Elenco: Danilo Tavares, Guido Spilare, Israel Meira, Julia Gonzalez e Rebeca Lelis.
Classificação: 14 anos
Sinopse: Dois amigos conversam sobre um amor do passado. Um deles é um professor universitário, viúvo e pai de uma menina doze anos. O outro é um grande amigo, machista e escroto. Em meio a cigarros, bebidas e devaneios o professor tenta demonstrar que não quer retornar ao amor do passado porque ele não deseja isso.

"Destaque para a direção, que soube imprimir a um texto realista, sua verdadeira condição. O elenco estava bem afinado, se entregando muito mais no segundo dia, onde tudo deu certo. Conseguiram levar a platéia à emoção absoluta e, sem dúvida, foi o momento de catarse, da mostra. Sempre dá pra melhorar a produção e talvez, nesta caso, investir um pouco mais na maquiagem e em detalhes do figurino e cenário, para emprestar à ação uma força que, também, leve a platéia a viver o ambiente, principalmente, na troca de cenário".

O Fantasma da  Morte
Direção: Celso Guimarães
Dramaturgia: Lucas Soeiro
Elenco: Caio Danarim, Eduardo Garcês, Lucas Soeiro, Rubenig Rodrigues e Tamires Borges.
Classificação: 14 anos
Sinopse: O espetáculo conta a história de dois irmãos que devido uma aposta vão parar em um cemitério. Lá eles descobrem quanto o sobrenatural pode ser real. O espetáculo é uma comédia, afinal, a comédia é a tragédia do outro. É um espetáculo divertido e para toda a família, onde se experimenta o ator como ferramenta da história que ele quer contar.

"Espetáculo criativo, com muita inventividade em cena, destaque para a cena das assombrações no cemitério, onde cada movimentação do elenco, sugeria imagens de impacto e muito clima de assombração, do jeito que toca o imaginário de um brasileiro. A peça fez menção aos contos populares sobre o tema e incorporou elementos da vida contemporânea.
Devido à complexa movimentação do elenco, algumas cenas precisam ser revisadas na própria concepção coreográfica. É importante ficar atento às falas coletivas, desenvolvendo uma linguagem de coro grego, que fez falta neste espetáculo, inclusive por se utilizar de elementos como a máscara, que combina muito bem com voz de grupo".


Todos Silêncio Tem um Nome
Direção: Dandara Melo
Dramaturgia: Tamires Borges
Elenco: Ilana Agnes, Karla Batista, Nadir Pires e Schirlley Maia.
Classificação: 14 anos
Sinopse: Marta é uma mulher que passa a vida inteira guardando as coisas para si mesma, simboliza a mulher brasileira que sofre com a repressão da sociedade, ausência de voz, onde ter liberdade de escolha de fazer o que quer e ser senhora de si mesma é um ato revolucionário.
O problema é quando se perde a força da esperança na vida. Todo Silêncio Tem Um Nome é um grito reflexivo.

"A cena causou impacto pela movimentação, voz das atrizes e ritmo. Todas estavam razoavelmente bem ensaiadas, o que deu ao coro mais unidade, comparativamente a outras peças que envolveram voz coletiva. O figurino e a maquiagem estavam em harmonia, além de um trabalho de intervenção sonora ao vivo. O uso de instrumentos como o tambor e a flauta, deram um bom caminho dramático para os trabalho, como um todo.
A  concentração do coletivo é fundamental neste tipo de abordagem cênica, também é importante que o elenco investigue bem, o universo emocional e dramático de cada nuance pintada na cena. Um trabalho de investigação maior do elenco pode fazer o que está bom, ficar melhor ainda". Parabéns para a dupla Tamires Borges e Dandara Melo, um bonito encontro entre dramaturga e diretora, que se entenderam na essência".


sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Cenas do OFICENA - 05.

A história do teatro de Cabo Frio já não pode mais ser contada sem levar em conta o OFICENA - curso livre de teatro, do teatro municipal Inah de Azevedo Mureb. Uma história marcante que começou com o surgimento do teatro, a 20 anos atras e que, depois de ganhar um nome, seguiu adiante. E é neste contexto que, nos dias 09 e 10 de setembro, sábado e domingo, próximos, fará sua quinta mostra de cenas curtas, no Charitas - Casa de Cultura José de Dome, no centro da cidade. 

Diretores e atores alunos se preparam para o "Cenas do OFICENA 05". Uma explosão de cenas e pesquisas teatrais.
Ao longo dos últimos 5 anos, foram mais de 70 peças de teatro escritas e dirigidas pelos estudantes do curso. Textos que surgiram no NUDRA - Núcleo Livre de Dramaturgia; e que ganharam autonomia, guiados pelo talento dos adolescentes e jovens do curso. Desta vez, incorporou-se, de forma mais técnica, o trabalho do diretor teatral como parte do desenvolvimento e da produção de conhecimentos e experiências, com isto, cada diretor investiu na sua própria pesquisa e construiu sua cena em total liberdade com seu elenco, cabendo ao corpo docente, apenas orientar e mediar conflitos.
Já foram inúmeros os professores que passaram pelo OFICENA, e tualmente, o curso conta com os Professores: Italo Luiz Moreira, Jiddu Saldanha, Nathally Amariá e Bruno Buzacchi; todos empenhados em construir uma pedagogia que valorize, principalmente, a livre iniciativa do aprendiz que, num certo sentido, é também um produtor de conhecimento, na medida em que seu próprio modo de ver e fazer é respeitado.
O Cenas do OFICENA 05, traz uma diversidade e envolve alunos veteranos e novos, tanto das turmas de adolescentes à tarde como das turmas acima de 18 anos, à noite. Venha conhecer e viver esta momento único, do teatro, em nossa cidade. Seja bem vindo, o CENAS DO OFICENA 05 te aguarda.

SERVIÇO:
Cenas do Oficena - 05
Data: 09 e 10 de Setembro
Hora: 20h.
Local: Charitas - Casa de Cultura José de Dome .
Classificação etária: Livre
Entrada franca

CONFIRA AS CENAS E AS SINOPSES DE CADA TRABALHO.


A Estranha Noite de Kaleb
Direção: Jean Monteiro
Dramaturgia: Caio Danarim
Elenco: Anderson Souza, Luis Fernando, Sara Silvestre e Yuri Quintanilha
Classificação: Livre
Sinopse: Kaleb esta dormindo ,quando um pirata aparece no seu quarto á procura de algo muito importante. Depois de muita confusão, Kaleb desconfia que isso seja algo de sua cabeça e tenta fazer com que eles sumam de qualquer jeito. Fazendo essa noite ser uma das mais estranhas.

Não Me Deixe Sozinho
Direção: Gabriela Quintanilha e Matheus Dcastro
Dramaturgia: Gabriela Quintanilha e Matheus Luan
Elenco: Matheus Luan e Yasmin Quintanilha
Classificação: 12 anos
Sinopse: Marina é uma mãe solteira deixada de lado pro seu ex marido, e sofre ao ser desprezada pelo seu único filho, Joaquim. Marina já está cansada de tudo o que está passando e resolve da um ponto final nisso tudo.

Sob os Lençóis da Conformação
Direção: Danilo Tavares
Dramaturgia: Celso Guimarães
Elenco: Carlos Antonio Oliveira, Danilo Tavares, Julia Marques e Letícia Ferreira
Classificação: 14 anos
Sinopse: Em um escritório qualquer 4 pessoas escravizadas pelo sistema desabafam sobre a realidade psicológica e política atual da humanidade.

A Moradia
Direção: Caio Danarim, Jean Monteiro e Jean Monteiro
Dramaturgia: Jean Monteiro
Elenco: Douglas Morais, Miguel Rangel e Geovana Barros
Classicação: Livre
Sinopse: Jr precisa de um lugar para morar então pedi ajuda a seu amigo Jonh para ajudá-lo a alugar um apartamento...

A Perola de Jane
Direção: Pedro Carvalho
Dramaturgia: Letícia Ferreira
Elenco: Alan José, Jully Braga, Nadir Pires e Pérola Hatake
Classificação: 14 anos
Sinopse: Jane, uma adolescente que encontrou uma curiosidade sobre ela mesma. Sua dúvida é, o que fazer agora? A cena se passa em um cômodo da casa, os narradores dão início a história e são o reflexo do pensamento de Jane, eles se questionam sobre o que fazer com essa nova curiosidade de Jane.

A Visita
Direção: Matheus Dcastro
Dramaturgia: Jean Monteiro
Elenco: Joás Teodora e Marcos Souza
Classificação: 16 anos
Sinopse: Depois de alguns anos, Judite volta pra sua cidade natal pra rever sua grande amiga, Lupita. As duas vão relembrar suas histórias de criança, mocinha e seus amores.

Vertigem
Direção: Mario Sales
Dramaturgia: Danilo Tavares
Elenco: Átila Jorge, Ricardo Schmith, Vitor Pires e Wallace Matheus
Classificação: 14 anos
Sinopse: Pós assassinato de sua mulher e filhos, Arthur se perde no limbo em busca da saída.

Chá pra Depois
Direção: Jean Monteiro
Dramaturgia: Jean Monteiro
Elenco: Julliana Aguiar, Pedro Vitor, Stefanny Pinheiro e Yaila Rosa
Classificação: Livre
Sinopse:
 Cláudia descobre que Ricardo tem uma amante,não aguentando a traição, liga para sua amiga Norma, para juntas resolverem esse problema.

Sem Voz
Direção e Dramaturgia: Coletiva
Elenco: Bianca Santos, Henrique de Bragança, Hubert Gigot, Igor Quintanilha, Kaylane Janes, Kaylane Rodrigues, Letícia Muzer, Lucas Cedro e Maria Gabriela.
Classificação: 14 anos
Sinopse: Nanda aos 17 anos descobre sua orientação sexual e não é aceita pela família e pelos amigos; a  história se passa no ambiente escolar, rejeitada por todos a sua volta ela decide dar um fim nisso.

Sobre Cigarros e Ela
Direção: Jorge Rodrigues
Dramaturgia: Raphael Araújo
Elenco: Danilo Tavares, Guido Spilare, Israel Meira, Julia Gonzalez e Rebeca Lelis.
Classificação: 14 anos
Sinopse: Dois amigos conversam sobre um amor do passado. Um deles é um professor universitário, viúvo e pai de uma menina doze anos. O outro é um grande amigo, machista e escroto. Em meio a cigarros, bebidas e devaneios o professor tenta demonstrar que não quer retornar ao amor do passado porque ele não deseja isso.

O Fantasma da  Morte
Direção: Celso Guimarães
Dramaturgia: Lucas Soeiro
Elenco: Caio Danarim, Eduardo Garcês, Lucas Soeiro, Rubenig Rodrigues e Tamires Borges.
Classificação: 14 anos
Sinopse: O espetáculo conta a história de dois irmãos que devido uma aposta vão parar em um cemitério. Lá eles descobrem quanto o sobrenatural pode ser real. O espetáculo é uma comédia, afinal, a comédia é a tragédia do outro. É um espetáculo divertido e para toda a família, onde se experimenta o ator como ferramenta da história que ele quer contar.


Todos Silêncio Tem um Nome
Direção: Dandara Melo
Dramaturgia: Tamires Borges
Elenco: Ilana Agnes, Karla Batista, Nadir Pires e Schirlley Maia.
Classificação: 14 anos
Sinopse: Marta é uma mulher que passa a vida inteira guardando as coisas para si mesma, simboliza a mulher brasileira que sofre com a repressão da sociedade, ausência de voz, onde ter liberdade de escolha de fazer o que quer e ser senhora de si mesma é um ato revolucionário.
O problema é quando se perde a força da esperança na vida. Todo Silêncio Tem Um Nome é um grito reflexivo.



quinta-feira, 23 de março de 2017

Conheça todos os vídeos do OFICENA produzidos atá agora:

Desfile do OFICENA - Recepção dos novos alunos - 13 de março de 2017




FALAS DO OFICENA 01
Depoimentos de alunos do Curso - 2016



FALAS DO OFICENA 02
Depoimentos de alunos do Curso - 2016


FALAS DO OFICENA 03
Depoimentos de alunos do Curso - 2016



Divulgando O INSPETOR GERAL - 2016


Divulgando o "O NAVIO NEGREIRO" 2016


Vivência coletiva.



Cenas do Oficena - 2016



Não há Tempo Pordido - 2016




III Ciclo de Leitura Dramatizada - 2016



Falas do OFICENA 04 - 2016


Encontro de Grupos do OFICENA - Abril de 2016



Falas do OFICENA - 2016



Mulheres que Fazem Teatro no OFICENA - 08 DE Março - 2016

DESFILE DO OFICENA - 2016



terça-feira, 9 de agosto de 2016

CENAS DO OFICENA 4: Um olhar sobre cada trabalho apresentado.

A experiência vivida no OFICENA, neste sábado e domingo, agora, nos conectou com algo de essencial, um compartilhamento de sonhos e esperanças mas, também, uma descoberta de um fazer totalmente necessário àqueles que buscam, no teatro, uma resposta para a própria vida.

Caio Danarim e Pedro Pimentel na cena "Bar da Vida" de Larissa Gomes.
Adolescentes e adultos, de mãos dadas para criar um universo  de arte. Mergulhar na essência e descobrir o que se tem de melhor, não apenas a vontade de subir num palco para brilhar, mas, antes, levar o brilho do coração e da alma para o público. Este que sempre vem e que, misteriosamente vai mostrando a melhor forma de como gosta de ver a expressão criativa e mais profunda do estudante de teatro. Como dizem por aí, "o OFICENA bombou mais uma vez", dessa vez, peças de teatro escritas, ensaiadas e produzidas pelos próprios alunos.
No começo era um sonho que parecia impossível, cortar todo tipo de dependência, para mergulhar na responsabilidade do fazer em si. Não foi fácil pra ninguém; cada um teve que trilhar seu caminho, descobrir sua linguagem e fazer dela uma forma de se conectar com o público. São muitas coisas que precisam ser feitas, descobertas e objetivos que devem ser atingidos para que se possa, de forma essencial, emplacar um novo trabalho e inventar uma ação-reação-criação, com cause algum tipo de impacto, de impressão.

ABERTURA
*Bem Vindo ao Oficena
Matheus D'Castro, Guilherme Carvalho, Yuri Quintanilha, Jean Monteiro, Danilo Tavares, Caio Danarim, Thayanne Teixeira e Sarah Silvestre.

Construída a partir de uma percepção de musical televisivo, a cena foi feita com despojamento e focada numa coreografia inspirada nos musicais da disney, trazendo uma expressão popular. Teve uma boa aceitação do público. A luz, no segundo dia, fechou dentro do "taime" e foi satisfatória, a afinação do elenco é sempre um desafio e pode melhorar. Fica a sugestão para que os ensaios sejam melhor planejado, e a pesquisa ampliada, só assim se consegue um resultado dentro ou acima da média.

*Quem Pegou o Pote de Ouro
Texto e Direção: Sarah Silvestre
Elenco: Henrique Bragança, Igor Quintanilha, Jully Braga, Kaylane, Larissa Nunes, Mayumi Cardoso e Sancler.
Classificação Livre

O grupo demonstrou garra e se dedicou bem ao desenvolvimento da cena, podia ter explorado melhor o "equilíbrio da caixa" e investido na potência vocal do elenco, que, por algumas vezes, falava baixo. Mas teve grandes momentos, como, por exemplo, o momento em que o assistente do Capitão Gancho leva um choque na parede invisível.

*Encontros e Despedidas
Texto e Direção: Lucas Cedro
Elenco: Bianca França, Douglas Filipe, Douglas Morais, Matheus Luan, Nayara Luiza e Tamiris
Classificação Livre

Uma boa distribuição de cena, com ótimo equilíbrio de caixa, a dramaturgia mergulha na alma da personagem que, depois de morta, revive em sua memória alguns momentos de suas vidas passadas. A metáfora da vida que se repete na estação, a partir de uma música de Milton Nascimento, ofereceu ao elenco a possibilidade de investigar e descobrir a musicalidade brasileira. O trabalho de afinação pode melhorar, mas o grupo demonstrou garra e pareceu bem ensaiado e entrosado.

*Entrevista a um Detento
Texto e Direção: Ludmila Lopes
Elenco: Guido Spilare, Victor Oliveira e Yasmim Ferreira
Classificação 12 anos

Um texto com forte expressão dramática e engajamento politico, fala da condição da criança e do adolescente, molestada pela terrível cultura do estupro. A força dramática proposta na linguagem e a intepretação da atriz Yasmin Ferreira, deu força ao trabalho.
A triangulação cênicaa pode melhorar, para que o ritmo do trabalho não se perca em pausas muito longas. O grupo demonstrou garra e dedicação, com um pouco mais de ensaio e estudo aprofundado das personagens pode deixar o trabalho ainda melhor.

Carlos de Oliveira - Cada vez mais focado,
descobrindo nuances em sua personagem.
*Pássaro de Ouro
Texto, Direção e Elenco: João Pedro Papini
Classificação Livre

João Pappini, como sempre, demonstrou garra, dedicação e trabalho. Sua cena faz uma reflexão sobre o julgamento que a sociedade faz aos cidadãos que não são respeitados em suas opções sexuais. Sua força e expressão dramática fez o público parar para pensar. 

Título Provisório - Prefiro Drama
Texto: Jorge Rodrigues
Direção: Celso Guimarães Junior
Elenco: Criso, Daniela Cunha, Rodrigo e Talita Peres
Classificação Livre

O texto do Jorge Rodrigues, tem uma uma intrincada trama juvenil mas que demonstra a inocência e o amor como personagens central, personificadas nas figuras de personagens de escola que se apaixonam pela mesma garota. Embora seja uma trama simples, o diretor, Celso Guimarães, deu ao trabalho uma cara de sonho e conseguiu conquistar o coração da platéia com sua inesquecível cena do isopor caindo do teto do teatro, sobre a platéia. O uso inteligente do material de cena, deu um gosto especial de saudade e, sem dúvida, plantou uma forte semente de lembrança na platéia. 

O Bar da Vida
Texto e Direção: Larissa Gomes
Elenco: Caio Danarim, Daniela Cunha, Gabriela Conde, Gabriella Tejada, Matheus D'Castro, Pablo, mello, Pablo Rodrigues,Thayanne Teixeira e Pedro Pimentel.
Classificação 10 anos

Uma dramaturgia bem pensada pela autora, Larissa Gomes, escritora recém chegada na juventude, seu texto encheu o coração do elenco, que se apaixonou pela história e desempenhou com dedicação. Entretanto, um pouco mais de ensaio e uma marcação de cena mais equilibrada na caixa, poderia ter dado o tom mais preciso ao trabalho. Fica também a sugestão para que o elenco invista na vocalização e dicção, para que as falas sejam bem percebidas pela plateia.

Vidas em Petalas
Texto: Gabriela Caetano
Direção, Trilha sonora e Sonoplastia: Cleiton Fernandes
Elenco: Ferlaine Rangel e Yasmin Quintanilha
Classificação 10 anos

O texto de Gabriela Caetano é pleno de imagens e o diretor, Cleiton Fernandes, soube aproveitar a energia das atrizes que estiveram muito bem e fortemente ensaiadas, construindo uma coreografia complexa, com movimentações difíceis, porém, equilibradas. Embora a cena seja bem ensaiada, é preciso buscar mais ritmos para. Falta pouco para chegar ao tom definitivo da cena, que pode ser conseguida com muito trabalho.

O Fantasma da Morte
Texto: Rubenig Rodrigues
Direção: Jean Monteiro
Elenco: Átila Jorge, Dandara Melo, Jorge Rodrigues e Lucas Soeiro
Classificação 14 anos

Como num filme de terror japonês, a cena acontece no melhor estilo brasileiro, uma mistura de cinema trash com um resultado artístico satisfatório. Destaque para a atriz-estudante, Dandara Melo, que construiu uma maquiagem horripilante, para sua personagem, além de ótima expressão corporal. Sugiro que o grupo invista mais na iluminação, ampliando os contrastes de claro-escuro, para obter mais visualidade ao trabalho, mostrando melhor a expressão dos atores.
Na cena "O Cavaleiro, a Fada e Deonzela", o elenco histriônico e divertido
destacou a estudante Pérola Hatake
Adeus Mundo
Texto: Christian Revelles Gatti
Direção; Kéren-Hapuk
Elenco: Carlos Antônio, Kalil Zarif e Mayra Rodrigues
Classificação 12 anos

O trabalho é um poema profundo e questionador, de Christian Gatti, que teve como diretora a misteriosa Kéren-Hapuk. O trabalho ganhou desenhos muito bonitos e teve uma boa marcação e movimentação dos atores. Sugestão que o elenco invista mais no trabalho de coro e faça ensaios mais contínuos, pois, as dificuldades para transpor o sentido mais profundo e chegar na proposta, exige muita dedicação.

Regra de três
Texto: Kalil Zarif
Direção: Beatriz Ebecken
Elenco: Sarah Fortes, Mário Sales, Rubenig e Patrick Magalhães
Classificação 14 anos

Kalil Zarif presenteou o elenco com um ótimo texto, história muito bem articulada e com um desfecho trágico, porém, digno dos melhores filmes de bang-bang à brasileira. O elenco estava bem dentro da proposta, com destaque especial para o jovem Rubenig Rodrigues, que conquistou a plateia na noite de sábado. A direção de Beatriz Ebecken, demonstrou um talento especial para o realismo, forma teatral bem complexa mas que, com dedicação, ensaio e estudo, tornou-se possível neste trabalho. A sugestão é usar melhor o centro da cena, para equilibrar bem a caixa.

O Cavaleiro Fada e a Donzela
Texto:Jean Monteiro
Direção: Danilo Tavares
Elenco: João Monk, Pedro Carvalho e Pérola Hatake
Classificação: 12 anos

Um texto criado com uma comicidade inspirada no teatro do absurdo, demonstrou habilidade de um espadachim principiante, mas era um espadachim. O ritmo entre o trabalho criado por Jean Monteiro e a direção de Danilo Tavares, gerou quase uma dança, com entrosamento que envolveu o elenco. O elenco descobriu uma fórmula de comicidade que funcionou. Destaque para Pérola Hatake, que desabrochou e construiu uma personagem satisfatória. O grupo pode investir numa produção mais cuidada, talvez figurino elaborado, para dar mais força aos personagens.

Yuri e Guilherme, uma dupla criativa e com muitas possibilidades.
APRESENTADORES À PARTE

Yuri Quintanilha e Guilherme Carvalho deram um show, foram muitos os acertos da dupla que se configuram como dois aprendizes no melhor estilo de comédia ligeira e palhaçaria sem nariz. Ambos camaleônicos, se multiplicam e diversos tipos de personagens, mas sem perder a essência do jogo entre o clown "augusto" e o "branco". O aprofundamento dessa relação pode fortalecer a dupla, que já se apresentaram juntos em outras ocasiões. A profusão de personagens e a criatividade em tipos populares de Cabo Frio, criam uma identidade e empatia com a platéia.


sexta-feira, 1 de julho de 2016

A Dramaturgia Resiste!

 Com uma produção de mais de 100 textos em 3 anos, o NUDRA - Núcleo Livre de Dramaturgia de Cabo Frio, busca o apoio incondicional dos jovens, para se afirmar como uma possível vertente de produção e criação de novos textos teatrais. Tarefa difícil, que envolve um intenso e lento despertar, mas que não é impossível.

Estudantes de teatro do OFICENA lendo textos de novos dramaturgos no
Segundo Ciclo de Leitura Dramatizada, realizado em 2015, no Teatro
Municipal de Cabo Frio.
Lembro uma vez, no final da década de 80, o ator Emílio Pitta, um dos monstros sagrados do teatro do Paraná, numa conversa sobre arte, falava com gosto sobre a arte da dramaturgia. Revelava sua paixão por Gianfrancesco Guarneieri e Plínio Marcos e, já na época, reclamava que não havia mais dramaturgos no Brasil e por isso, os artistas famosos acabavam sempre montando textos estrangeiros. Já naquela época, devido à burocracia, diversos grupos de teatro começaram a escrever e montar seus próprios textos. De um lado, tínhamos os dramaturgos jovens que, praticamente não eram levados a sério, já que a dramaturgia havia caído em total descrédito no Brasil.
Na década de 90, o Brasil começou a divulgar timidamente, os textos do Mauro Rasi, que escrevia comédias e dramas familiares e depois passara a escrever para televisão. Em meados dos anos 2.000, surgiu um forte movimento de dramaturgia com a entrada em cena de Jô Bilac, a partir daí, voltou-se a falar mais abertamente de dramaturgia. O Brasil pareceu sair de um vácuo de mais de 20 anos. Não que não houvesse novos escritores pra teatro, mas a falta de apoio e discussão sobre essa forma artística de produzir, levava sempre nossos melhores atores a mergulhar na produção de textos estrangeiros já ha muito tempo ultrapassados. A falta de opção por um lado e o obscurantismo da produção por outro, fazia com que todos achassem que no Brasil, os dramaturgos fossem uma "espécie em extinção".
Em Cabo Frio, com surgimento do OFICENA - Curso Livre de Teatro do Teatro Municipal de Cabo Frio, resolvemos criar o NUDRA - Núcleo Livre de Dramaturgia de Cabo Frio, com o intuito de estimular a produção de mais textos teatrais. A partir de uma carpintaria simples e que marcasse a ação cênica como elemento principal do texto, jovens começaram a perder o medo e escrever mais. Imaginar suas ações e criar contextos para a cena, de onde pudemos ver surgir já, alguns nomes que se destacaram nessas forma de escrever. Alguns textos, foram levados à cena e fizeram grande sucesso dentro do curso OFICENA mas também fora, como as peças "OsVampiros Estão com Fome" de Kéren-Hapuk e "Urânio Tóxico", de Larissa Gomes. Foi a partir da NUDRA que algumas pessoas passaram a produzir textos regularmente para serem montados, como "Ditadura" de Nathally Amariá, que acabou virando peça de repertório do TCC - Teatro Cabofriense de Comédia.

Uma lista de 21 textos serão lidos no Terceiro Ciclo de Leitura Dramatizada, é possível que, um dia, tenhamos pessoas
produzindo muito mais para alimentar a cadeia produtiva do Teatro de Cabo Frio e, quem sabe até, nacional e internacional.
Durante o ano de 2013, os alunos frequentadores do NUDRA passaram a fazer leituras de seus próprios textos para os estudantes atores do OFICENA, o que resultou no primeiro festival interna CENAS DO OFICENA, foram 17 trabalhos, quase todos escritos pelos alunos participantes do NUDRA. Em agosto de 2014, a produção do NUDRA ganhou um evento aberto no teatro. Fez o primeiro ciclo de leitura dramatizada, com total sucesso e em maio de 2015, ouve um novo encontro, dessa vez, com platéia lotada e curiosa para conhecer os novos dramaturgos e suas férteis imaginações artísticas. 
A partir de 2016, o NUDRA tornou-se um núcleo livre e desvinculado do OFICENA, passando a receber estudantes também de fora, mas a ideia não tinha dado certo, vimos que os participantes que vinham de fora, o fazia muito mais por causa de sua produção de contos e poemas, muitos, por não conhecer o teatro, resistiam em produzir especificamente para teatro. O núcleo de dramaturgia entrou em declínio e a proposta de escrever textos teatrais, abriu-se para quem quisesse escrever, de forma totalmente livre. Percebemos que a produção, embora viva e pulsante, não seguia qualquer regra minima, os jovens escreviam seus textos apenas com a intenção de vê-los no palco, de preferência por amigos, gente com quem tivesse afinidade, jogando um balde de água fria na ideia de construir um caminho real para a dramaturgia em Cabo Frio.

Uma Luz no Fim do Túnel.

A falta de produção de textos começou a deixar os novos escritores da cidade, sem contato com os atores, para discutir sua produção. Eventos de leitura dramatizada aconteceram de forma aleatória, apenas para mostrar o texto de autores consagrados. O sonho de criar um time de dramaturgos locais pareceu estar morto. Foi numa reunião às pressas com a equipe do OFICENA, decidimos reabrir o NUDRA. Com total apoio de todos iniciamos um plano emergencial para reagrupar os alunos que tinham latente, dentro de si, o desejo de escrever pra teatro.
A Leitura de autores consagrados como Federico García Lorca e seu tão
famoso texto "Bodas de Sangue" são valorizados nos eventos de dramaturgia,
nesta foto, o trabalho de direção de Italo Luiz Moreira, deu grande força e
prendeu o público até o último minuto.
Uma oficina livre de dramaturgia, realizada nos dias 11 e 12 de junho, ajudaram a criar a energia que impulsionou, novamente, a produção de textos. Os que não puderam comparecer, enviaram foram lidos por aqueles que estiveram presentes, assim, o primeiro encontro livre de 2016, do NUDRA, contou com a leitura e discussão de quase 11 textos teatrais. Com o replanejamento da agenda do OFICENA conseguimos colocar o quarto encontro "Cenas do Oficena", vinculado ao terceiro encontro de "Leitura Dramatizada", que irá acontecer no dia 02 de julho.
Para o momento, podemos dizer que conseguimos resguardar o espaço para novos dramaturgos, mas ainda é algo incipiente. O hábito de montar peças de forma intuitiva, sem escrever textos ou trabalhar apenas com um rascunho na mão, faz parte de uma "destradição", que se contrapõe ao mergulho formal na arte de escrever para teatro, talvez, por falta de abordagem proativa da própria mídia e por não termos um sistema de educação que realmente valorize o teatro. Os jovens tem idéias mas quase sempre pensam e realiza-la de forma cinematográfica ou televisiva, que são formas de dramaturgia mais popularizadas hoje. Em Cabo Frio, no entanto, parece surgir uma luz no fim do túnel, há uma geração mais velha do teatro local, que sempre valorizou a dramaturgia. Silvana Lima, José Facury, Marcelo Tosta, Cesar Valentin, Anderson Macleyves e Italo Luiz Moreira estão no olho desse furacão, acompanhados de Rodrigo Sena e Manuela de Lelis, esses últimos, da mesma geração do Eduardo Magalhães, o Eduardinho, como era conhecido de todos e que fora um forte despertar não só como diretor mas, também, como criador de textos para ser encenados.

por Jiddu Saldanha - Blogueiro

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

A Fala do Coração. A poesia do NUDRA.


Pensar é sorrir por inteiro...
Nosso coração, sedento por paixão, sensibilizado com os encontros, deseja falar, dizer, compartilhar, e viver. Nossos encontros, mais que necessários, ajudam a elaborar algo fundamental da existência, a reflexão sobre os "sentidos da vida" e os "sentidos da arte", se é que, fazer arte, faz algum sentido! Viver, no dizer de Guimarães Rosa é um "rasgar-se e remendar-se" e, numa perspectiva mais abrangente, pré-supõe que devemos poetar e poetizar os momentos, tornando-os opções melhores para a construção de um um universo interior; um universo que agregue nossas buscas mais complexas e torne nossa vida possível.
Fazer a travessia da existência é a tarefa principal do ser humano, construir em comunidade, aceitar as companhias presentes e, ao mesmo tempo, transformá-las em potência, criação, plenitude. Assim, a vida vai ser tornando um rio onde o fluxo maior é o encontro. Ah, os encontro, a arte do encontro, é nela que vejo fluir o melhor de nós, compartilhamento, soma, troca, cumplicidade, essas palavras tão fortes, tão plenas de significados e tão imersas em possibilidades. 
Cada encontro do NUDRA é uma janela de possibilidades!

(Jiddu)

Veja alguns poemas e textos publicados no Morangotango vol. 02.

Clara, por inteiro
         (Anna Alves)

Clara era uma mulher diferente,
Longe de todos era quando sorria.
Na multidão sufocava,
Chorava, murchava,
Sentia-se vazia.
Seus olhos brilhantes falavam mais do que sua boca,

Pois quando calava, era quando dizia.
E eram tantos os dias de silêncio
Que quando a noite chegava, fugia.
Pro mato,
Pro mar,
Pra mim.
Clara era uma mulher diferente.
Não no físico, na mente.
Pois era quando passava a gritaria que Clara falava.
Na suave brisa que invadia a janela, era quando eu a sentia.
Lá estava Clara,

Se eternizando em poesia.


Tempo de ventania
           (Thainá Gomes)

O vento sopra forte
Entusiasmado que não cabe em si
Corrente de ar que varre tudo

Leva pra longe
Bagunça o pensamento
Nada tem organização

Pé de vento que sopra forte
Folhas bailando
Parecendo que vão soltar todas de vez
Sincronia de passos

Vento típico de mudança
Vem toda época se pronunciar
Chega assobiando

Venta lá fora
Lua cheia, céu estrelado
É época de ventar

Tempo de ventania
Novos ventos de tempo
Varrendo o que for solto
Um sopro do Mar.
_____________

coisa doida
doída
espinho encravado
ferida
ferida aberta
alma alerta
alerta de fogo, 
queimada
coisa errada
errado tudo
você mudo

                        você que se foda.
                                                  (Beatriz Ebecken) 

Morangotanguetes de outubro!

 *
É cedo, e avisto no meu campo duas torres se erguendo á minha frente de forma perigosa. A tal ponto que os cavalos ao meu redor relincham bravamente, porque tudo isso só teria um objetivo. Com o sol acima de minha cabeça, tenho a visão de meus camponeses avançando em direção ás torres de outro reino, ao tempo que vejo os seguidores dele fazendo o mesmo, contra mim. Guerra! Todos lutam com todas as suas forças.. Bispos contra camponeses, cavalos são lançados para me proteger… Camponeses tentam derrubar as torres. E quando vejo, já é tarde de mais.. Minha companheira, minha alma gêmea, já não existe mais… A alma a deixou de uma forma tão súbita, que me sinto sozinho, cansado, cercado, é tarde demais para continuar. Cheque-mate!

(Nayara Alvez)                                                                                           

*
 Um Certo Alguém
             (Nina Coelho)

Lá estava eu, bem triste, sozinha, afogando-me em solidão, pensando em algo que poderia acontecer, e não vai. Levantei do meu abrigo decidida a me deixar levar, pela morte. Fui andando em direção ao abismo, o abismo de meus devaneios. Quando chego na ponta, ouço uma voz à me chamar, virei para ver quem atrapalhava meu fim. Vejo-te ofegante, com olhos chorosos. - Não, não me deixe - você disse e chegou mas perto. Quando estava quase me abraçando, me desequilibro, mas não caio, acordo,percebo que estava sonhando, vejo-te dormindo ao meu lado, agradeço por ter-te  comigo. Deito em teu peito e tento novamente pegar no sono, com medo de voltar ao desespero.

*


Chuva de Sentimentos
Chuva
chuva que me molha
chuva que me olha
quando estou triste

chuva que me umedece 
quando desce
para me molhar

chuva que me encharca 
quando fica chata
por muito tempo

chuva, me deixa louco, me deixa oco, me deixa 
triste quando insiste, me deixa feliz na garoa, 
me deixa de boa, me deixa como uma criança 
que não cansa, quando a chuva vem, 
fico na janela pensando nela

(Joás Teodora)


*

E mais um dia começa 
                   (Priscila Mayer)

Mas diferentemente das outras manhãs 
Não desejo desaparecer
Não desejo que os lençóis me amordacem 
Quero vestir minha capa de invisibilidade 
E sentir sua respiração 
Ficar espreitando seus passos 
Até te ver dormir
E velar o seu sono
Sonhar os teus sonhos 
E saber se habito por lá 
Mas esqueci minha capa na lavanderia 
E assim sento no ponto de ônibus 
Só pra te ver passar 
Talvez hoje eu consiga lhe desejar Bom Dia!!!!


*
              ProsLiberct I
                (Kéren-Hapuk)

Desconexão infernal
Domina tudo
Domina Ambos
Domina ina
E não deixa fujir
Não deixa apartar
Come tudo , engorda, explode
Come mais, suga a alma

Perigo à vista
Preciso ir
Abandonar
Cansar e cantar
Mover e correr
Olhar e matar
RaráRará

Pede alforria
Lembra da tia
Tristeza plena
Alimenta-a
Vinda de longe
De dentro do ventre
levantar Romano
Sensual Cigano

Corra antes que padeça
Corra antes que envelheça
Para tocar o sentido
Basta ter um dedo


a expressão é a alma...